Duas Crônicas: The exhibition brings together the essence of unique works inspired by the ancestry of the peoples that gave rise to Brazilian culture and still add social counterparts

Conheci o trabalho da Yankatu em 2015, quando a designer Maria Fernanda Paes de Barros nos procurou para realizar sua primeira exposição de mobiliário. Em Fio da Meada, mostra que marcou sua estreia no Museu A CASA, ao lado de outras três designers, nos identificamos com seu método de trabalho que alia atenção aos mínimos detalhes e imersão nas comunidades com as quais trabalha.

Desde então, os laços entre A CASA museu do objeto brasileiro e a Yankatu só se fortaleceram. Sua produção no Vale do Jequitinhonha também esteve no museu A CASA em 2017 e suas coleções autorais já ganharam destaque em duas edições do Prêmio Objeto Brasileiro, premiação que realizamos a cada dois anos.

Ao ser apresentada à poesia fotográfica de Marcelo Oséas, pude constatar que, embora seu suporte artístico seja outro, sua visão sobre a produção artesanal e a cultura indígena são complementares às da Maria Fernanda.

Em Duas Crônicas, eles apresentam o resultado de suas imersões em comunidades indígenas da Amazônia. Em seu trabalho nas comunidades ribeirinhas no Pará, Fernanda propôs às artesãs da região que fizessem trabalhos em palha em homenagem à produção cerâmica da etnia Borari. Embora sejam considerados ribeirinhos por questões políticas e territoriais, sua ascendência na mesma etnia se evidencia não só em muitos costumes, mas principalmente em sua produção artesanal.

Marcelo apresenta fotografias colorizadas com pigmentação natural e que registram sua vivência dentro da aldeia Munduruku, localizada no baixo Tapajós, Pará.

É com prazer que abrimos as portas do museu A CASA para receber dois trabalhos distintos, porém, complementares e que nos contam sobre a história e tradição de povos indígenas, conhecimento tão precioso destes habitantes do nosso país.